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Título:Processo de commoditização da indústria avança no País
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Data:03/09/2010
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Autor:Da redaçãoFonte:O Estado de São Paulo
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Conteúdo:O Custo Brasil é como um imposto que incide em cascata em todos os elos de uma cadeia produtiva. Dessa forma, reduz progressivamente a competitividade dos produtos brasileiros à medida que a cadeia produtiva se alonga.
 
Ou seja, os favorecidos são justamente os setores produtores em grande escala de bens intensivos em recursos naturais e com menor capacidade de agregação de valor, que assim conseguem crescer a taxas mais aceleradas que o restante da indústria.

"Estamos falando do avanço do processo de commoditização da indústria brasileira, o que significa desindustrialização", afirma o empresário Mário Bernardini, assessor econômico da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Para o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, assessor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o País está na contramão do que acontece no mundo bem sucedido. "O segredo do sucesso da China, de uma grande indústria alemã ou dos Estados é que uma etapa a mais de transformação industrial agrega valor e competitividade. No nosso caso, agrega muito custo e retira competitividade".


Bernardini observa que a participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto (PIB) registra queda desde os anos 80. A contribuição do setor para a geração de riquezas no País caiu de aproximadamente 45% para cerca de 28%, enquanto o PIB per capita se estabiliza abaixo de US$ 10 mil.

"Em países em condições normais de desenvolvimento, a queda da participação da indústria no PIB vem acompanhada pelo aumento do PIB per capita, indicando que os serviços passam a ter maior peso na economia e que a indústria não se reduziu nominalmente".


Mario Bernardini acrescentou que, nos últimos dez anos, o investimento no Brasil cresceu a uma média anual de 8%. A questão é que 90% desses investimentos são concentrados em setores ligados a commodities (matérias-primas) agrícolas e minerais. "Nossa desindustrialização é seletiva, já que nas
commodities temos vantagens que superam as desvantagens do Custo Brasil".

Gomes de Almeida cita que o País é campeão em competitividade na área de celulose, mas na hora de transformar a matéria-prima em papel perde toda a competitividade. "O Brasil perde gradativamente densidade industrial. Isso significa abrir mão de potencialidade de crescimento econômico, de geração de empregos mais remuneradores e de arrecadação de impostos".


Para mudar o quadro, o economista diz que o País precisa de uma política industrial de vários vértices, incluindo regulação em áreas como portos, crédito, infraestrutura, câmbio e inovação nas empresas. O presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, enviou o estudo da entidade sobre o Custo Brasil para a equipe econômica do Governo e para os candidatos à Presidência da República.

 
Produzir no Brasil sai mais caro que nos EUA
 
O chamado Custo Brasil, conjunto de fatores que comprometem a competitividade e a eficiência da indústria nacional, encarece em média 36,27% o preço do produto brasileiro em relação aos fabricados na Alemanha e nos Estados Unidos. Somado ao câmbio valorizado, esse custo ajuda a explicar a tendência de especialização cada vez maior do País em exportar produtos primários e semimanufaturados, e de importar mais produtos de maior valor agregado e de tecnologia avançada.
 
"Imagine que um alemão apaixonado pelo clima tropical resolvesse trazer sua fábrica de porteira fechada para o Brasil, incluindo mão de obra e máquinas. O preço do mesmo produto que ele fabrica hoje na Alemanha subiria automaticamente 36,27% só pelo simples fato de passar a produzir no Brasil", diz Mário Bernardini.

Bernardini coordenou estudo inédito da Abimaq que mede o Custo Brasil pela primeira vez nos últimos 20 anos. Ele ponderou que, na verdade, trata-se de uma tentativa de avaliação, pois foram mensurados oito itens e o Custo Brasil tem ao menos mais outros 30 que não se consegue transformar em números.

Segundo ele, se a comparação fosse com a China, o número dobraria de tamanho. "Fomos conservadores de forma proposital, pois o mundo inteiro tem problemas com a China", disse o diretor de Competitividade da Abimaq, Fernando Bueno



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